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A transformação no viver

A transformação no viver

5O sábado (20/07) marcou mais um encontro dos bororoenses cinéfilos, que apreciam um bom debate sobre saúde emocional. Apesar das férias e do frio, um bom público esteve presente, todos recebidos com mantinhas, pipocas, chá, café e calor humano.

O filme argentino, Um conto chinês,  trouxe o ator Roberto Darín em uma personagem profunda e adoecida, que se transforma durante a história.

Roberto (Ricardo Darín) é um argentino mal humorado, dono de uma pequena ferragem, adoecidamente metódico, que coleciona notícias incomuns padas em jornais. Sua rotina é interrompida quando ele encontra o chinês Jun (Ignacio Huang) que não fala uma palavra de espanhol. O imigrante chega em Buenos Aires e é assaltado dentro de um táxi. Sem dinheiro e sem saber como conseguir socorro, encontra em Roberto um “cuidador”. Comunicando-se por meio de mímicas, os dois tentam estabelecer um diálogo, mesmo com a presença da não-fala. O que, no início, parece um pesadelo, transforma o viver de Roberto. O filme é baseado em uma história real, que se passou na China, na qual um barco de pesca é atingido por uma vaca (que cai do céu) e afunda. No roteiro, Jun perde a noiva nesse acidente, já que o animal cai exatamente no lugar onde estava sentada a moça.8

O filme aponta que o incontrolável faz parte do viver. Todas as histórias absurdas que Roberto coleciona, e ri quando as lê, trazem aquilo que, talvez sem perceber, acontece com ele, diariamente, seja quando conta os parafusos, seja quando da chegada de Jun: a tentativa de controle. O próprio fato de se revoltar ao contar as peças que lhe chegam do fornecedor e que, por falha da máquina de embalar coloca quatro ou cinco parafusos a menos, já demonstra uma inconsciência adoecida. Numa linguagem própria da Bororó25, pode-se identificá-lo como um Bofe, um Sofrenildo e uma tia Candinha. Ou seja, a tríade onipotência/arrogância/grandiosidade se faz muito presente no viver de Roberto.

Para nós, a onipotência repre­senta a inclinação inconsciente do sujeito em acreditar que tem um poder que, de fato, não tem. A onipotência se refere à dimensão do “ter”. Na arrogância, o sujeito se movimenta como se fosse melhor do que o outro. Supõe que sabe mais, que age melhor, que pode mais. Ela se refere à dimensão de “ser mais do que o outro”. Na grandiosidade, a pessoa se imagina melhor do que de fato é, refere-se à dimensão do “ser” (A felicidade possível, p. 82).

front_conto_chinesRoberto, assim, pode ser identificado como um si-mesmo, que se enrijece numa única versão de si. Ele não muda sua rotina, não liberta suas diversas versões, não modifica seu olhar amargurado, cria uma barreira que impede a aproximação do outro.

Até que o “absurdo” o atinge. A chegada de Jun no seu viver passa a promover uma transformação sutil, mas muito importante para a saúde emocional de Roberto. Há afeto e empatia entre os dois. As mímicas e a não-fala que os envolve apontam que a comunicação dispensa a linguagem falada para existir. Ao conseguir um tradutor, quase no final do filme, Roberto se surpreende com a história de Jun, para quem tudo faz sentido. E, então, acontece o “inusitado” no viver do argentino. Finalmente, ele transforma seu olhar sobre a própria vida e começa a produzir boas e saudáveis escolhas.

Uma comédia dramática que vale a pena ser vista - e degustada.

Informações

Data do Evento 23/07/2013 - 23/07/2013
Duração h
Horário 19:00 - 22:00
Contato contato@bororo25.com.br
Telefones (51) 3346-6171 ou (51) 99692-8185

Inscrição

Este evento já foi encerrado