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Educar não é domesticar nem adestrar

Educar não é domesticar nem adestrar

Na segunda-feira (27/08) a Bororó25 encerrou mais um encontro promotor de saúde. O tema da adolescência foi amplamente discutido, buscando apresentar e analisar os principais questionamentos desse período do viver de cada um de nós. A terceira e última aula apresentou conceitos como si-mesmo e si-próprio, a oferta de limites e a sexualidade.

Quando se fala em limites, no sentido de “enquadrar” o jovem, os pais ou cuidadores estão cometendo um grave equívoco que poderá levar ao afastamento desse adolescente. Os limites que compõem a saúde são aqueles que os pais oferecem como seus. Ou seja, a pessoa oferece o seu próprio limite para compor com o outro. Um exemplo: “meu filho, eu não estou gostando do jeito como estás falando comigo. Quando te acalmares e puderes conversar comigo de outra forma, conversaremos. Até lá, eu gostaria que ficasses no teu quarto. Estou muito incomodada contigo.” Com isso, passamos a oferecer nosso próprio limite, ao contrário da tentativa de impor limites ao outro. “Na nossa função como pais é muito importante que nos mantenhamos o mais afastados possível de sermos si-mesmos, porque o si-mesmo não consegue oferecer as suas verdades para o outro”, explica Denise Aerts.

“O eixo da idealização é um eixo de cristalização”, decreta Christiane Ganzo. E explica que mudanças de comportamento fazem parte de um si-próprio, mutante, caleidoscópico. “Ser um si-próprio é saber escolher o que é melhor para si em cada momento do viver. E oferecer a sua verdade, sempre”.

O desejo de ser amado faz com que o sujeito deixe de ser si-próprio e, na tentativa de agradar o filho, provoque um afastamento. Isso acontece porque essa tentativa de ser o que o filho gostaria que o pai ou a mãe fosse, afasta o sujeito de quem ele efetivamente é. “E eu não admiro quem eu tenho que ser na presença desse jovem. O mesmo também acontece com ele”, dizem as terapeutas. Por isso o afastamento. É claro que existem diferenças de linguagem entre os adultos e os adolescentes, mas isso não significa que não exista ou não possa existir uma comunicação.

É prudente da parte dos pais e cuidadores colocarem-se como companhia desse filho adolescente. Exemplo: o filho está com dificuldades nos estudos e pode não passar de ano. Podemos estudar com ele. Isso é oferecer nossa companhia. Mas não podemos tomar para nós a responsabilidade da aprovação. Nós não seremos reprovados com ele, mas ele será reprovado embora estejamos ao seu lado. É importante apontar, para o adolescente, a responsabilidade pelo próprio cuidado. Fique alerta: o desejo de transformar o outro se intoxica pelo desejo de controlá-lo. Troque o “nós faremos” pelo “faça o que lhe é possível fazer”.

Quanto ao uso de substâncias lícitas e ilícitas, consumismo, alimentação desregrada... qualquer um deles é indicativo do uso de atalhos. Não importa a apresentação do recurso utilizado, seu propósito sempre está ligado ao expediente de evitação, sendo acompanhado das mais diversas justificativas. Ele é sempre produto de uma inconsciência adoecida.

Em relação ao tema da sexualidade, é importante que o jovem tenha seu espaço de privacidade, para suas próprias descobertas. E é bom para nós que elas aconteçam em nossa companhia – desde que seja da vontade dele -, quando podemos contar nossas verdades e indicar os cuidados que são desejáveis tomar. O que se observa, com muita frequência, é que o adolescente necessita de um tempo de recolhimento físico e de silêncio com relação à sua intimidade. “A construção afetiva, no campo da sexualidade, exige cuidado, tanto no que se refere à identidade do sujeito em relação ao gênero ao qual se reconhece emocional e fisicamente pertencendo, quanto à escolha dos parceiros sexuais”, explica Denise. Aos pais, cabe o respeito ao direito e à privacidade dos filhos, e um convite genuíno à conversação sempre que lhes for possível. Lembre-se sempre: educar não é adestrar nem domesticar. É respeitar e compor.

Em setembro, nos dias 10, 17 e 24, acontece o curso “Vestibular: uma panela de pressão para o jovem e sua família”. E, também aqui, as questões da adolescência se farão presentes. Participe! 

Informações

Data do Evento 28/08/2012 - 28/08/2012
Duração h
Horário 19:00 - 22:00
Contato contato@bororo25.com.br
Telefones (51) 3346-6171 ou (51) 99692-8185

Inscrição

Este evento já foi encerrado