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Família: relações exigentes

Família: relações exigentes

4Dizem que “família a gente não escolhe”. É verdade Quando nascemos, não temos autonomia para fazer escolhas. Somos seres totalmente dependentes dos nossos cuidadores. No entanto, ao nos (des)envolvermos, podemos decidir conviver ou não com nossos familiares. Caso a escolha seja “sim”, é bom que essa convivência possa produzir saúde para todos os envolvidos.

O curso “A arte de conviver em família”, realizado de 3 a 17 de julho, na Bororó25, abordou, entre diversos temas, as diferentes lógicas nas relações.  A ponta saudável apresenta o amor/potência de cada um; em posição intermediária encontra-se o respeito - que é um híbrido entre amor e medo - e, na ponta das relações, o adoecimento, presente no medo/poder. Quando há essa relação de medo e poder, de tentativa de controle, por parte dos pais, há um afastamento que pode resultar, até mesmo, em rompimento. Christiane Ganzo salienta que “a nossa cultura é do pseudo-respeitos e de muito medo”.

Amor é potência. Potência é uma instrução contrária à busca de poder. Entretanto, amar é a instrução mais sofisticada que existe. Ao descobrirmos toda a potência e saúde que existe em nos responsabilizarmos por nós, nunca mais per­maneceremos com o sentimento de culpa mais do que o tempo necessário para o identificarmos e iniciarmos a exigente tarefa de amar quem somos na presença dos fatos de nossas vidas (A vida como ela é, p. 102).7

Alguns pais, de acordo com Denise Aerts, “equivocada e doentiamente, colocam os filhos na centralidade de suas vidas”. E “esperam” o mesmo da parte deles. Frustram-se quando percebem que estes filhos (quando saudáveis) estão se ocupando de seu próprio viver. E isso não significa menos amor. Cuidar bem de si não é egoísmo, mas um fundamental instrumento promotor de saúde emocional.

Os encontros, com exceção do primeiro, tiveram ações práticas, com a formação de dois grandes grupos para a discussão de questões como: “o que é mais exigente em ser mãe/pai ou filho?” e “o que, no dia a dia, é mais problemático (difícil)? Situação, assunto e com quem“. Os participantes também foram instigados a responder: “existem segredos? assuntos tabus”? O resultado mostrou que os pais tendem a se sentir mais desconfortáveis nas relações com os filhos do que estes em relação aos pais. Isso se dá, na opinião dos jovens, pela falta de uma comunicação mais eficiente. Segundo Christiane Ganzo, tristemente “os pais criam uma expectativa de que os filhos não só entenderão o que eles desejam como farão aquilo que eles querem, numa clara tentativa de controle do incontrolável”.

Christiane alertou que é da ordem natural que os filhos, em determinado momento, saiam para a vida. Quando isso não acontece é sinal de que eles não construíram a competência emocional necessária ao viver. Muitos pais, ilusoriamente, acreditam-se homenageados com a dependência dos seus filhos, quando jovens adultos. Pais saudáveis criam condições para que os filhos tenham autonomia e sigam suas próprias escolhas.

16Aqueles que são pais conhecem muito bem o desejo de “garantir o melhor” para seus filhos. Têm plena convicção de que “sabem” se este ou aquele é um bom parceiro para seus “bebês”. Inclusive, acreditam que têm mais condições de saber se a pessoa que escolheram é adequada ou não para seus filhos, independentemente da idade que eles tenham (A felicidade possível, p. 77).

É bom saber que os filhos crescem e saem para as suas vidas, para poder aprender a desfrutar de suas presenças. Desfrutar é diferente de controlar. Sugerir um casaquinho porque está muito frio é diverso de mandar colocar um casaco porque vai adoecer. Oferecer amor é da ordem da potência. Pais (os não saudáveis) costumam “invadir o quadrado” dos filhos, certos de que sabem o que é melhor para eles. Não sabem, nunca saberão, porque cada um sabe o que é melhor para si e só faz o que quer (inclusive os pais). Pensar que o filho seguirá pelo caminho que um pai escolhe é iludir-se.

Pais idealizam filhos e amam essa idealização. Filhos idealizam pais e amam também essa idealização. É precisamente esse amor por quem não existe que os impede de amar quem existe. A relação rompe-se. O outro percebe o desamor e, se for saudável, partirá na direção de outras pessoas com as quais tentará sentir-se amado pelo que já é. Se for menos saudável, continuará perto, perpetuando uma relação de desamor e desencontro. E, inconscientemente, vingar-se-á em si e em sua vida, gerando um mau viver que transbordará na direção de quem ama. Assim, perdemos quem existe por amar quem idealizamos. Com isso, amaremos “ninguém” e não teremos o amor de “alguém” (A felicidade possível, p. 200).17

As configurações familiares apontam que um convívio saudável agrega todos os integrantes por meio do amor/potência. Denise celebra: “a saúde contamina. Na medida em que um (membro) da família começa a e transformar, todos se transformam”.

Informações

Data do Evento 23/07/2013 - 23/07/2013
Duração h
Horário 19:00 - 22:00
Contato contato@bororo25.com.br
Telefones (51) 3346-6171 ou (51) 99692-8185

Inscrição

Este evento já foi encerrado