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Por uma fala que aproxima

Por uma fala que aproxima

19A Bororó25 encerrou, na quarta (19/06), o curso “A fala nas relações cotidianas”, com um encontro permeado de exercícios práticos que divertiram os participantes, como telefone sem fio, refraseando cenas do cotidiano e modulando o falar, com orientação da fonoaudióloga Jacqueline Constante.

O propósito da fala saudável, nas relações cotidianas, é a aproximação. Uma comunicação produzida na saúde é envolvente, gera bem estar, diminui a distância entre as pessoas, acolhe e é construtora de felicidade.

Utilizando a base conceitual do Método Curação, é possível elaborar um roteiro da investigação amorosa sobre a fala:

1 – Desejo falar ou calar?
2 – É bom para mim, calar ou falar?
3 – Qual é o propósito de falar ou calar?
4 – Quem é meu interlocutor? Qual sua importância na minha vida?
5 – Processo de escolha da ação curativa x ação impulsiva.

Há duas questões fundamentais para a fala: a forma e o conteúdo. O conteúdo é, em geral, mais acessível à consciência, enquanto que a forma e o timming são mais suscetíveis à inconsciência. Isso significa que, muitas vezes, sabemos o que comunicar, mas não temos habilidade para fazê-lo. É bom para nós sabermos quais as ferramentas adequadas para produzir um formato saudável que comunique nosso conteúdo como desejamos. Sem esse cuidado, podemos dizer a coisa errada, na hora errada.

18No livro “Curação: a arte de bem cuidar-se” existem dois conceitos importantes: palavra-bruxa e palavra-borboleta. A palavra borboleta é fruto da atenção amorosa do sujeito que se mantém fiel ao seu propósito de comunicação e encontro. Por outro lado, a palavra-bruxa é o resultado da descarga impulsiva, trazendo, na maioria das vezes, resultados negativos e afastando o emissor de seus propósitos. Uma fala é cuidadosa; a outra, impulsiva. E isso não quer dizer que a palavra-borboleta seja aquela cheia de “ternurinha”. Algumas vezes ela pode ser uma palavra mais dura, mas foi trabalhada, amanhada, escolhida. Frequentemente, corremos atrás de uma palavra-bruxa fugidia que nos escapou sem que houvéssemos no instante percebido. E, depois, quanto trabalho! Ela parte em vôo incerto, pousando nos ouvidos dos outros, invadindo suas almas, batendo suas asas e espalhando aquele pozinho escuro que não mais conseguimos recolher. Não era ela quem desejávamos que ganhasse o mundo e outros corações” (Curação, p. 175).

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Outro aspecto a considerar é que o sujeito saudável fala sempre na voz ativa. Ele “não é enganado por fulano”, mas ele “se sentiu enganado pelo fulano”. Segundo Christiane Ganzo e Denise Aerts, isso faz toda a diferença. As terapeutas explicam que falar na voz passiva é colocar-se como refém dos acontecimentos e dos outros. Sair da voz passiva é o resultado de um autocuidado, é assumir ser sujeito do verbo, da ação, do seu viver. Quando dizemos ”eu me enganei com fulano”, assumimos a responsabilidade de nosso engano, tornando-nos sujeitos da sentença.  Sabemos que é bastante exigente assumir a possibilidade de que nos equivocamos, de que nos enganamos em relação a fatos ou pessoas. Entretanto, isso é o humano em nós. É necessário confiarmos em nossas percepções, ainda que mais tarde elas venham a mudar.

É preciso salientar que escutar é tão exigente quanto falar. E mais ainda é autoescutar-se, pois essa ação abarca os dois movimentos e é uma sofisticação do processo de comunicação. Se, de fato, as pessoas se ouvissem, não diriam 10% do que dizem, porque quem fala se revela, sempre. Porque nem tudo o que sentimos, pensamos ou desejamos é útil ou benéfico que se apresente ao espaço público. A fala está sempre a serviço de nossa alma e, toda a vez que nos pautarmos pelo desejo de controlar o incontrolável, estaremos em uma fala reativa, que restringirá nossa alma. As forças ativas se manifestam por meio de uma fala cuidadosa, que reconhece o sujeito na centralidade de seu diminuto, porém vital, espaço de governabilidade. Vale a pena habilitar-se para uma fala saudável, que promova uma comunicação eficiente e prazerosa. Agir nessa direção é desejar se fazer feliz.18

Informações

Data do Evento 21/06/2013 - 21/06/2013
Duração h
Horário 19:00 - 22:00
Contato contato@bororo25.com.br
Telefones (51) 3346-6171 ou (51) 99692-8185

Inscrição

Este evento já foi encerrado